Eu ♥ Este Livro #3

12:15 C. Vieira 1 Comments

Olá, voltamos ao Eu ♥ Este Livro. já percebeu que sempre que paramos para pensar no que gostamos, preferimos, amamos descobrimos uma novíssima coisa a incluir na lista? Ano passado foi complicado para escolher novas obras para minha lista gigante de favoritos. Favoritei dois e tão somente dois livros. Me senti mal por isso pois sempre imaginei em colocar ao menos metade de minhas leituras, a cada ano, em minha lista de top 1000 (é, estou quase nesse nível...). Mas não dá certo. em nenhum ano eu consegui passar de 3 ou 4 livros que gostei plenamente. O que é uma pena pois voltei a ler com alguma regularidade e seriedade (por enquanto!).
De qualquer forma, ainda que lentamente, minha biblioteca de favoritos aumenta. Este ano, mais um entrou, mas vou falar dele em outro post porque a fila é grande e preciso contar sobre minhas outras "joias". E vamos ao sorteio!
O livro escolhido para ser o terceiro Eu ♥ Este Livro é...

Nossa, este faz tempo que li. De cara (na época), eu pensei: "Livro com título religioso escrito por um autor de histórias cheias de sangue, sexo e mortes? Não vai dar certo!..."
Relembrando agora da história percebo que tem alguma coisa a ver como a véspera de Natal. E é daqueles que você lê sem pretensão alguma (eu estava na verve de ler todos os livros do autor) imaginando que seguiria a mesma linha dos demais (apesar do título inusitado). Explico: Frederick Forsyth é um escritor de romances de espionagem. 

Se alguém já leu a O Dia do Chacal ou assistiu O Chacal (com Bruce Willis) imagina o tipo de literatura que ele cria. Na verdade, existem outros livros dele que viraram filmes antes de eu nascer e mesmo quando eu ainda era criança (e nem sonhava em ler romance de espionagem), mas acho que O Chacal é exemplo suficiente. O fato é que eu conclui, pela grossura do livro (70 páginas!) que seria um conto pequeno sobre um espião em uma missão de Natal (?). Sem spoiler, posso afirmar que foi uma surpresa ainda mais emocionante.
Veja bem, eu estava acostumada (e ainda estou!) a ler os livros dele com muita explosão, tiros voando, e a sensação, até a última página, de que tudo daria errado para o mocinho (quem leu/assistiu qualquer coisa sobre o assassino Chacal entende o que quero dizer). Mas O Pastor leva a um outro ponto que combinou bem com a temática que abordava. 

Obs.: O título do livro tem um significado à parte também surpreendente. Mas vamos a um resuminho sobre a história!
É véspera de Natal e o ano é 1957. Em pleno momento pós-Segunda Grande Guerra, um piloto, que não é identificado pelo narrador, está sozinho no cockpit do avião Vampire voando para casa, de licença da Alemanha. Sessenta e seis minutos de voo é a duração, com descida e pouso inclusos. O destino é a base aérea Lakenheath da RAF, em Suffolk, na Inglaterra. Nenhum problema, apenas seguir o procedimento rotineiro.

Então, lá fora sobre o mar do Norte, a neblina começa a fechar-se (coisa típica de acontecer lá!). O contato pelo rádio desaparece, o radar não funciona e a bússola enlouquece. Naquela época, um piloto precisava desesperadamente do radar e da bússola funcionando para saber para onde estava indo. Imagine ficar sem eles e ainda com uma neblina espessa à frente. Se fosse direto para uma montanha ou um prédio, não ia saber o que tinha atingido. O desespero do piloto é angustiante (E eu me lembro de me perguntar por que alguém criaria uma história sobre tragédia que tinha de se passar na véspera do Natal?!). Quase me arrependi de ter pego o livro para ler. Estava na biblioteca entre os que eu já tinha lido do autor... 
Após usar todos os códigos de emergência que conhece, ele percebe que o combustível está acabando. Não chegará ao seu destino porque sequer sabe onde está. O destino dele é terrível. Entretanto, de repente, em meio à grossa névoa, aparece um bombardeiro da Segunda Grande Guerra (mas como?). Ele voa logo abaixo do Vampire, como se tentasse fazer contato...

E depois, dessa, não larguei o livro!

O piloto sem nome sabia que não tinha chance alguma de sobreviver. Estava antes todo feliz em ir pra casa, passar o Natal com a família. E, do nada, a roda gira e ele é pego em meio a um mar branco e sem qualquer auxílio dos equipamentos do avião. A angústia desse homem é digna dos outros livros de Forsyth (e, gente, era um livrinho mixuruca, com algumas páginas perto dos calhamaços dos outros livros!). Quando aquele misterioso avião surge, o piloto não sabe se isso é algo bom ou um Caronte levando-o do mundo para sempre.
E, até o livro chegar ao fim, você também não sabe o que vai acontecer e nem mesmo se o "colega" do outro avião veio para ajudá-lo (menos ainda sobre quem ele é). 
Eu gostei d'O Pastor porque a mensagem dele é não apenas otimista (ainda que angustiante), mas madura o suficiente para entendermos que se a morte é certa em nossas vidas, a esperança também pode existir. Muitas vezes, duvidamos das nossas capacidades, confiamos em máquinas e rejeitamos o instinto, a intuição, a esperança (de novo!) e a fé em algo intangível. Não falo de algo ligado à religião nenhuma. Falo do que nos faz querer viver, querer prosseguir, querer sair da "névoa" (seja qual for ela) que bloqueia nosso caminho em direção a um destino de paz. E é exatamente disso que este livro pequenucho nos lembra de fazer: acreditar.
Em quê?
Depende (não do que eu acredito, mas) do que cada um usa como guia, como "bússola" em sua vida.
E também O Pastor fala de não temer. De aceitar se jogar no vácuo da dúvida e arriscar-se a prosseguir. Pode ser que tenha uma "montanha' à frente, mas se não há certeza, por que desistir antes de dobrar a próxima esquina da vida?
E é isso que me fez amar este livro. A capacidade de dizer para ter medo, mas, ainda assim, ir.
 

Eu recomendo a leitura a cada uma e cada um que, como eu, teme os obstáculos da vida, mas que aceita que talvez possa superá-los se acreditar que pode.

Obrigada pela companhia e até o próximo Eu ♥ Este Livro!

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